É 2 DE JULHO NA BAHIA! E O PELOURINHO VAI “POCAR” A BOLHA!
José QUEIROZ
Dois de Julho é a data cívica mais importante para o povo baiano! É a data em que se comemora a Independência da Bahia e a consolidação da independência do Brasil, realizada em 1823, já que o colonizador aqui resistiu ao 7 de Setembro de 1822. É um dia festejado intensamente na Bahia, pois a história é bastante conhecida dos baianos, que a estudam nas escolas e conhecem seus personagens. Centenas de pessoas deram a vida para livrar a Bahia e o Brasil dos seus exploradores, como Joana Angélica, a freira que tentou impedir a entrada de soldados no seu convento, e foi assassinada.
Muitos brasileiros não sabem que aqui houve luta, longa e sangrenta, pela independência deste país! Brancos, negros, índios, mulatos e mestiços lutaram juntos. Conquistaram a independência da Bahia e a entregou a elite local, porém não conquistaram a própria independência. Deixamos de ser colônia de Portugal para ser colônia inglesa, depois norte americana, sempre com a manipulação e a exploração da nossa própria elite, que finalmente a conquistou. À custa do nosso trabalho, da nossa riqueza, da dominação pela força ou pela mentira, e pela ação dos medrosos, incapazes, fracos, aproveitadores e bajuladores, que sobrevivem graças à migalhas que ganham, e a miséria de outros brasileiros. Precisamos dar outro grito!
Não há lógica, fórmula ou hipnose que faça o dinheiro sujeitar a inteligência e a cultura por muito tempo, ou sem traumas. O Estado é uma instituição a serviço da sociedade, e não o contrário! O homem do povo sabe que é explorado, mas não tem o conhecimento e as armas que tem a maioria da classe média e alta, que, entretanto, está satisfeita com o que ganha e com o espetáculo da mídia. Inclusive muitos educadores, formadores de opinião, OAB, Igreja e artistas! Mesmo que estejam convivendo e educando seus filhos num ambiente de degradação moral, insegurança e futuro incerto. Quantas Joana Angélicas morrem diariamente, pobres e indefesas, apesar de produzirem a riqueza que alimenta a elite de dentro, e de fora do país?
Dois de Julho é um bom momento para baianos e brasileiros recordarem a história, a luta heróica e suicida pela conquista, os personagens e o exemplo deles e das instituições, e a construção deste país com trabalho honesto de homens, empresas e governantes, embora saibamos que a má conduta sempre existiu. É o momento para refletir sobre os erros que levaram o povo brasileiro a ter esse caráter, e o país a viver sempre numa bolha, prestes a estourar. E talvez seja o momento de arrancar cortinas e máscaras, estourar essa bolha e corrigir o rumo. Estamos sendo levados irresponsavelmente sem saber para onde, nem o que deixaremos para trás. As pessoas que governam nossas vidas e nosso futuro, seguramente, não são habilitadas para isto!
Em Salvador há um longo desfile cívico militar no dia 2 de Julho, da Lapinha ao Campo Grande, e que atravessa todo o Centro Histórico da cidade. É o dia que as escolas, os quartéis, o governo, o povo de Salvador, e os bravos Recôncavo Baiano e Sertão, que tanto deram, mas que igualmente foram usados e abandonados, vão às ruas festejar a independência e renovar os laços de confraternidade. Mas não há o que festejar nos últimos anos. Não há notícia inventada por jornais e televisões, festa paga com nosso dinheiro, alegria simulada, caras, bocas, poses e frases, que nos confortem.
O baiano consciente e trabalhador se sente enganado, está triste e revoltado com a situação do Pelourinho e de toda a cidade! Explorada, abandonada, arruinada, violenta, suja, feia, rejeitada por baianos e turistas! E também porque vê alguns irmãos dominados e impotentes, e outros que, pela mesma necessidade de trabalho, dinheiro e assistência, não hesitam em colaborar e aproveitar o poder, mesmo sendo vítimas também. Dividiram ou paralisaram pessoas que perderam a confiança em si mesma, a esperança num país melhor, e o sonho de dar uma vida digna aos filhos!
Mas não todas as pessoas! O Pelourinho convida o povo baiano para ir às ruas no dia 2 de Julho, de camisa preta, apito, e cara pintada com as cores da Bahia, de luto pela morte do Pelourinho nessa gestão atual e na anterior, que é a mesma, da Prefeitura e do governo do Estado. Vamos fazer nossa caminhada e protesto em todo o percurso, para deixar claro que o Pelourinho e Salvador tem importância para nós, tem pessoas capazes e dignas, e merece respeito e administração competente! São lugares especiais, não são para qualquer um! O Pelourinho vai pocar a bolha da mentira, da incompetência, da exploração e do atraso!
O Pelourinho e Salvador serão nossos a partir de 2 de Julho!
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