terça-feira, 19 de julho de 2011

PELOURINHO PEDE PAZ!

PELOURINHO PEDE PAZ!
José QUEIROZ, especialista em turismo interno, assessor de imprensa da ACOPELÔ – Associação dos Comerciantes do Pelourinho – e um dos gestores do Movimento SOS PELOURINHO

Não dá para esconder, nem para esperar mais! O Pelourinho precisa de mais segurança, e as Polícias Militar e Civil precisam de apoio, de reforços, de recursos, e de instalações que os abriguem e imponham respeito. Até isto o Estado deixou acontecer! A Polícia Militar não tem instalações próprias e compatíveis com suas necessidades, numa situação já constrangedora, além de ser responsabilizada pela criminalidade gerada pela falta de trabalho, assistência social e redução da tropa no governo atual.

A Polícia Civil precisa de mais agentes, veículos especiais para circular por todo o Centro de Salvador, espaço para detentos, e apoio dos serviços sociais da prefeitura e do estado. A Guarda Municipal, que consome dinheiro público, precisa trabalhar ou ser desativada. São 1500 homens que podem impedir a invasão dos casarões e da privacidade das pessoas que passeiam no Pelourinho e em outros lugares de Salvador. Estão ganhando para isto!  A Polícia Federal também precisa intervir por causa do tráfico de drogas. Salvador precisa de uma ação conjunta, um mutirão, autoridade, JÁ!

O assassinato cometido no Largo do Pelourinho, na Praça do Reggae, no último dia 16/07, reflete a situação de maneira emblemática! Os delinqüentes sabem das limitações da segurança local e perderam o medo de serem punidos, em virtude da permissividade da justiça e da falência do sistema prisional, além da frouxidão que incentiva o delito nas novas leis criminais, criadas para resolver o problema do estado, não o da sociedade, e que resultarão em mais violência e corrupção, pois se criou automaticamente a indústria das fianças. Nem governante nem bandido respeitam mais o estado, a sociedade e a vida, por falta de educação, perspectiva e autoridade.

Isto não é simples fatalidade, os jovens não nascem criminosos, nem é Deus quem quer assim! É a falência da família e das instituições públicas, da moral e dos bons costumes, do mercado de trabalho e dos sonhos de carreira, que resultaram do desmonte da educação pública na década de 70. Vê-se diariamente nos noticiários o desperdício de dinheiro público com corrupção, partidos políticos e futebol. Mas roubar assim é legal! Enquanto isso, também diariamente, há notícias de assassinato de jovens envolvidos, ou vítima, do crime, vê-se a morte da força de trabalho do país, o comprometimento dos negócios, de vidas e famílias, e da imagem e do futuro do povo. O que o brasileiro não suporta mais são as notícias de roubo em todos os setores do governo! Não há controle, limites, autoridade, punição, respeito pela sociedade que vê o país definhando dia a dia, e sabe que o Estado está sendo assaltado. BASTA!

Não há dinheiro para as necessidades básicas do Pelourinho, como a assistência social que compromete a segurança, e as próprias Polícias, porque o dinheiro tem sido investido em outros negócios. No último dia 14/06 foi aprovado com maioria absoluta, pela Assembléia Legislativa, o Projeto de Lei 19.177/11, que autoriza o Governo a tomar emprestado ao BID U$ 50,82 milhões, cerca de R$ 80 milhões de reais, PARA O TURISMO. Segundo o Secretário de Turismo da Bahia, Domingos Leonelli, o dinheiro será investido na Baía de Todos os Santos e no Pelourinho. O secretário da Casa Civil da prefeitura, João Leão, informou que dispõe de cerca de R$ 580 mil para uma intervenção conjunta do Estado e da Prefeitura no Centro Histórico. Não convenceu, e ainda não começou nada! E ainda faltam cerca de R$ 79 milhões para gastar, Oxalá, seja aqui! A Polícia Militar é obrigada a tirar o soldado do posto para fazer a troca de turno, já que o estado não paga hora extra. E os delinqüentes aproveitam esta falha.

O Governo Federal e os partidos políticos tem um comportamento em relação aos estados e regiões produtivas do Brasil muito parecido com a exploração colonial e imperial, que provocou muita revolta e muitos conflitos. Só cobram! A riqueza desses lugares não é utilizada para o desenvolvimento deles, principalmente quando líderes medíocres ou desonestos são cooptados por partidos políticos e seduzidos pela política nacional, e apenas usam os votos e o dinheiro de seus lugares de origem. Mas atualmente, apesar de manterem o povo sem educação, de obrigarem o povo a votar, e de instituírem a compra do voto através de políticas sociais assistencialistas, o nível de consciência política é maior, e a paciência cada vez menor, porque a falta do trabalho que poderia ser gerado com o dinheiro das Bolsas, a falta de saúde, de oportunidades, a roleta russa da violência, e as redes sociais, estão amadurecendo a sociedade.

O Brasil precisará resolver o problema da violência se quiser fazer turismo! É um dos principais fatores que diminuíram o turismo no país e no Pelourinho. O mundo sabe disso! E não se pode esperar mudanças através dos governantes que estão aí, pois eles não tem conhecimentos, experiência e influência na indústria turística, estão à mercê de operadores e burocratas inescrupulosos que trabalham em benefício próprio, exploram o turismo interno e estão desviando o turista brasileiro para fora do país, ou para negócios com grupos estrangeiros, como os resorts e os cruzeiros. Esvaziaram os centros turísticos tradicionais, como Salvador.

Portanto é preciso incentivar a organização dos setores, buscar a representação política do Pelourinho e do turismo por técnicos, e interagir com a sociedade, já que o turismo fomenta várias outras atividades e é do interesse geral. O orçamento da Copa já aumentou em todo o Brasil devido à má gerência e roubalheira. Salvador também tem sua Secopa, que tem a ver com turismo e com o Pelourinho, mas que às vésperas da Copa das Confederações não realizou nenhuma obra expressiva, e seguramente está recebendo recursos para isto e para salários de gestores, que nos últimos anos saem da política para todos os setores do Estado, comprometendo cruelmente a sociedade brasileira. O Pelourinho pode dar exemplo para o país exigindo a gestão participativa!

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