PELOURINHO PROCURA “CABEÇA DE BURRO”
José QUEIROZ
A lenda é conhecida, e também faz parte do imaginário do Pelourinho. Acredita-se que nada se resolve, nada funciona ali, por causa dessa “cabeça enterrada”. E realmente está claro, o Centro Histórico de Salvador, "não tem cabeça". Por vários motivos, porém o mais emblemático é o sistema de governo que se pratica no Brasil. Por uma lógica legal, cômoda, e benéfica para os políticos e seus partidos, porém perversa para a sociedade, cada um é responsável apenas por uma parte do problema. Como não há cobrança de resultados, ninguém faz nada, e se desculpa alegando que o outro não fez a parte dele. E sugere à sociedade cobrar.
Então cobre, sociedade! Cobre porque a política brasileira se acomodou de vez nessa possibilidade e está mais ocupada com carreiras, partidos e sucessão. Salvador está visivelmente caótica, mas no 2 de Julho a imprensa e os políticos, num momento bastante impróprio para indiferença e cinismo, por causa dos diversos movimentos sociais protestando, deram muito mais destaque à próxima eleição. O que está acontecendo nesse momento no Congresso Nacional é revoltante! É um golpe organizado aos cofres públicos! Os parlamentares estão cobrando do povo, não é da Presidente Dilma Roussef, R$ 4,6 bilhões, de emendas de 2009 que não foram pagas, e ameaçam bagunçar o orçamento do país votando medidas que onerem o estado. E obviamente é para partidos e campanhas. Estamos sendo chantageados!
A presidente Dilma Roussef era conselheira da Petrobrás até se candidatar, Palocci também, até o escândalo, Guido Mantega ainda é, com salários de cerca de R$ 700.000,00, é isso mesmo, setecentos mil reais mensais. Mas o que preocupa é a formação do Conselho de Administração da Petrobrás, pois a empresa está inteiramente à serviço de partidos políticos! São políticos de Brasília que facilitam a vida de Brasília. O senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), proprietário da Manchester Serviços Ltda., fez contratos de R$ 57 milhões com a Petrobrás entre fev/2010 e junho/2011, SEM LICITAÇÕES. Por estas e outras, principalmente por falta de controle da sociedade, não há dinheiro para o Pelourinho, e outras necessidades do Brasil.
Só a sociedade pode resolver o problema do Centro de Salvador! O Governo do Estado, deputados, a secretaria de Turismo, de Cultura, o IPAC, IPHAN, CONDER, Prefeitura, vereadores, Saltur, e instituições de assistência social, ganham para isto, mas preferem manter o “burro sem cabeça!” Apesar da iniciativa da subcomissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, de elaborar um documento de intenções, e demonstrar preocupação e interesse em pôr medidas em prática, o Pelourinho precisa urgente de um grupo da sociedade, multidisciplinar, e que dê unidade ao Centro da Cidade. Já desapareceram vários casarões, outros 111 estão ameaçados, o Centro de Salvador está inteiramente degradado e as instituições instaladas ai também cuidam apenas de partes do Pelourinho. Foram prejudicadas por discursos políticos irresponsáveis, e estão naturalmente descrentes, o que só dificulta o processo.
Há um plano que foi elaborado pelo governo atual e que deve ser posto em prática imediatamente, inclusive há medidas emergenciais reivindicadas pela comunidade, do contrário há o risco de se perder muito mais da história e da cultura brasileira. Mas o Pelourinho precisa de uma intervenção mais ampla! É lamentável o conhecimento parcial, ou conceitos superados, que norteiam um dos mais importantes sítios históricos da humanidade. Parece exagero, mas o Pelourinho foi a “cabeça” de uma das regiões mais produtivas do “Novo Mundo”, tem tudo a ver com o desenvolvimento do capitalismo, com práticas comerciais discutíveis ou não, mas que fizeram parte de outra época, outra mentalidade. Ainda assim, estas práticas antigas, ou não tanto, deram possibilidades ao desenvolvimento de outras, como as artes, a música, a literatura, a ciência e o turismo. Entretanto, a desinformação, o preconceito, os interesses, discursos sócio-político-culturais sem objetivo e propostas, e a hostilidade, dificultam qualquer diálogo positivo e construtivo. Até o político tem medo de se meter ali!
O mundo nos admira, porém nós não nos admiramos! E uma parte do Pelourinho hostiliza quem os admira, gera trabalho, renda e intercâmbio cultural: os turistas. Na verdade muitas dessas pessoas nem são do Pelourinho, não sabem que o Pelourinho precisou se manter unido para sobreviver, como agora. É óbvio que o baiano quer o Pelourinho, mas não está indo por falta de liderança, iniciativa e cuidados objetivos. Muitas pessoas não têm conhecimento ou consciência do porque recebem turistas. São seus símbolos! Foi este baiano com sua bela e épica história de conquista, resistência, desenvolvimento, miscigenação e formação de uma personalidade única, levada ao mundo por Jorge Amado e outras produções, e que orgulha o próprio povo, que atraiu o turista.
Temos uma responsabilidade com a humanidade, cuidar do Pelourinho! No entanto confiamos isto à políticos de formação discutível ou mercenária, e agimos influenciados por equívocos ou sentimentos que não tem nada a ver com o Pelourinho. Nem com o povo baiano.
Pelourinho precisa de gente grande!
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