O PELOURINHO E O TURISMO
José QUEIROZ
No atual conjunto econômico-político-social do Pelourinho, o turismo é a maior e mais importante atividade. A maioria das instituições e pessoas instaladas ali, e muitas outras de Salvador, estão ligadas ao turismo. E mais, o Pelourinho é um dos mais importantes símbolos turísticos do Brasil, que atrai pessoas, negócios e dinheiro. Ele é Patrimônio da Humanidade, por isto é motivo e garantia de bancos nacionais e estrangeiros, é vendido por operadoras brasileiras e estrangeiras, além de ser um centro artístico irradiador de cultura, principalmente música, outro negócio fabuloso.
O turismo passou a ter relevância na economia de Salvador na década de 70, época que foram construídos os hotéis Othon, Meridien (atual Pestana), Salvador Praia, Quatro Rodas (atual Devile), e outros. O Pelourinho nesta época era bairro residencial de famílias proprietárias de alguns casarões, outras famílias viviam em casas alugadas de ordens religiosas e do próprio governo, e muitas pessoas haviam invadido casarões desabitados ou abandonados, e continuaram invadindo outros com a instalação do Pólo Petroquímico de Camaçari.
Era o Centro da cidade, havia muitos negócios, a rua Chile era “chique”, mas era, e ainda é, zona portuária, e o Pelourinho carregou por muito tempo o estigma de lugar perigoso, pelo menos até o começo de uma reforma, em 92, que deu a impressão que a partir dali os problemas se acabariam. Que nada! Começaram outros, até a parada da reforma para resolvê-los, em 2007, mas que não teve continuidade até hoje, 5 anos depois, causando mais degradação. O Pelourinho voltou a ser considerado perigoso pelo restante da cidade, que não conhece seus problemas. Há que se fazer justiça às Polícias Militar, sob o comando do Coronel Nascimento, e Civil, representada pela DELTUR – Delegacia do Turista - sob o comando da Delegada Maritta Souza, além de todos que as comandaram. Por eles o baiano voltou a freqüentar o lugar, e o turismo se firmou em Salvador.
Os negócios gerados pelo tombamento, e os milhares de turistas que começaram a chegar na década de 80, tornaram o Pelourinho um objeto de disputa política acirrada e irresponsável. As pessoas não foram devidamente envolvidas, salvo as intervenções do lendário Vivaldo da Costa Lima, antropólogo, professor da UFBA – Universidade Federal da Bahia - e que foi gestor do IPAC – Instituto do Patrimônio Artístico Nacional - durante a primeira reforma. Mas ele também não pôde fazer nada contra a insensatez, a ganância e a inaptidão política, cuja truculência ou demagogia imediatista, só deu prejuízo à sociedade baiana, econômico e cultural.
Hoje o contribuinte paga, e muito, salários à SALTUR (órgão oficial que não é secretaria de turismo), ao IPAC, IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – ERCAS (Escritório de Referência do Centro Antigo de Salvador, criado pelo governo atual em 2007, para gerir a reforma que não foi feita), e outros, que não são administrados por algo, ou alguém. O baiano elege governador e prefeito para cuidar do estado e do município obedecendo a Constituição, mas eles definem suas prioridades sem escutar a sociedade, e alegam não ter autoridade para cobrar as ações dos outros órgãos que, segundo eles, não cumprem com suas obrigações. E quem tem? O POVO! Na gestão anterior e atual, do governo e da prefeitura, Salvador sofreu três duros golpes: a degradação do Pelourinho, a retirada das barracas de praia, e a falência do turismo.
O turismo em Salvador é controlado pela Secretaria de Turismo da Bahia há muitos anos! Nenhum secretário teve conhecimentos nem soube – ou não quis! - preparar o centro da cidade e as pessoas para o turismo, pelo contrário, o turismo se tornou “um problema”, principalmente para moradores, que se sentiram ameaçados pelas lojas, hotéis e agências que se instalaram ali. Em busca de votos, outros políticos usaram estes moradores como plataforma, defendendo a permanência deles, criando instituições, mas sem cumprir as promessas e, o que é pior, sem cuidar do centro da cidade. Baixa dos Sapateiros, Gravatá, Barroquinha, São Bento, Gameleira, Lad da Montanha, Tabuão, Pilar e Comércio estão em condições subumanas. Saúde, Carmo e Santo Antonio precisam de intervenção, limpeza, segurança, etc.
A falta de conhecimento e administração do turismo chegou à absurda situação de ouvir-se no Pelourinho críticas ao turismo cultural! Não se conhece o assunto, no entanto fala-se em turismo social, identitário, comunitário, etc. Tudo inventado por políticos! Se a indústria do turismo dependesse dessas variantes não existiria! Ninguém sai de férias para sofrer, para resolver problemas dos outros, principalmente dos governantes. O ato de viajar é cultural! As pessoas viajam levadas por símbolos criados pela cultura, seja erudita ou popular, querem conhecer lugares e pessoas e ampliarem seus conhecimentos, trocam informações e incentivam o crescimento cultural. E querem estar em ambientes limpos, seguros, com bons serviços, bons hotéis. A indústria existe para preparar profissionais, viabilizar e gerar outros serviços.
É um contra-senso no Pelourinho, onde muitas pessoas que residem ali trabalham em algum negócio relacionado com turismo, ou muitas instituições que criticam o turismo tem tido assistência da Prefeitura ou do Estado graças ao poder de captação de dinheiro do turismo no Pelourinho. Será preciso fazer um trabalho intensivo de conscientização, formação e inserção dessas pessoas, com outra visão, para que o turismo seja compreendido como uma vocação natural de Salvador, e principalmente para que se entenda que a finalidade de todo centro histórico é educação, formação, cultura e turismo. Por isto, Salvador precisa urgentemente de uma Secretaria de Turismo que coordene, que fiscalize, que cobre de todos os outros órgãos, que cuide do Pelourinho e de toda a cidade. O turismo é bom, mas no lugar que é bom para seu povo!
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